Consolidação acelerada no setor de TI
A tecnologia da informação segue como o setor mais aquecido do mercado brasileiro de fusões e aquisições. Segundo a Pesquisa Fusões e Aquisições da KPMG, a TI manteve a liderança pelo terceiro ano consecutivo em número de operações, com 415 transações registradas entre janeiro e setembro de 2025, das quais 278 contaram com participação de fundos de private equity ou venture capital. Software B2B, fintechs, plataformas de gestão e empresas com receita recorrente baseada em SaaS estiveram entre os alvos preferidos dos compradores.
No consolidado do mercado brasileiro, a KPMG e a Bain & Company registraram 1.581 transações de M&A em 2025, movimentando cerca de US$ 51 bilhões, alta de 8% em relação a 2024. Um dos movimentos mais relevantes do período foi o avanço da participação de fundos de private equity e venture capital, que passaram de 43% para 50% do total de operações, reforçando o papel desses investidores como protagonistas da consolidação de empresas de TI no país. No segmento específico de SaaS, o Brasil concentra cerca de 64% das transações realizadas na América Latina, com 263 operações fechadas em 2025 e volume de aproximadamente US$ 2,1 bilhões, avanço de 6% sobre o ano anterior.
Inteligência artificial redefine as teses de aquisição
A inteligência artificial deixou de ser um diferencial e passou a ser um requisito nas teses de aquisição de empresas de tecnologia. Levantamentos recentes do ecossistema, como o da Questum, apontam que o primeiro semestre de 2026 registrou queda no volume de transações de M&A envolvendo startups brasileiras, mas o recuo está mais associado a uma régua de avaliação mais alta do que a falta de apetite comprador. Compradores estratégicos e fundos têm priorizado empresas com dado proprietário, aplicação real de IA em seus produtos, receita recorrente comprovada e churn controlado, sinal de um mercado de fusões e aquisições de startups mais maduro e seletivo.
Outra tendência marcante de 2025 foi o protagonismo do capital estrangeiro: mais de 70% das transações de tecnologia avaliadas no ano tiveram compradores internacionais, evidenciando o apetite de players globais pelas empresas brasileiras de software e a relevância do país como plataforma de consolidação regional. Ao mesmo tempo, companhias tradicionais de varejo, agronegócio e serviços financeiros têm adquirido startups de IA para acelerar sua transformação digital, ampliando o número de compradores estratégicos ativos no setor.
Consolidadores estratégicos e o papel do SaaS
O movimento de consolidação de empresas de TI também ganhou tração com a entrada de plataformas dedicadas a comprar e integrar software houses. Um exemplo é a Canopy, consolidadora fundada em 2024 com o objetivo de reunir empresas de software no Brasil, que recebeu um aporte de US$ 100 milhões e já concluiu aquisições como Sollus, Topcom, Maxicom e Uniware. Esse tipo de estrutura, comum em mercados mais maduros, tende a se multiplicar no Brasil à medida que o setor de tecnologia amadurece e passa a demandar processos de M&A mais estruturados, com due diligence técnica, integração pós-aquisição e disciplina de valuation.
Entre a consolidação de software houses, o apetite renovado de fundos de private equity e venture capital e a inteligência artificial como novo critério de avaliação, o M&A em tecnologia consolida-se como uma das frentes mais dinâmicas do mercado brasileiro, abrindo oportunidades relevantes para empresas que buscam crescer por aquisição ou se posicionar para uma transação estratégica.